terça-feira, 10 de abril de 2018

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (16)

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Nascer de novo, Senhor?

Sim, meu filho, nascer de novo!

Mas, Senhor, quando Te encontrei, ou melhor, quando Tu me fizeste encontrar-Te ao fim de tanto tempo, não foi esse um “nascer de novo”?

Sim, foi meu filho, e houve alegria no Céu pelo teu novo nascimento, mas sabes que em Mim, o nascer, o crescer, o morrer, faz tudo parte do “Novo” que Eu sempre sou.

Como pode ser isso, Senhor?

Repara quando nasces em e para Mim, nasces de novo para a vida que Eu Te dou.
Mas quando cresces nessa vida, nasces sempre um pouco em e para Mim, num processo contínuo, que é feito de contínuo nascimento e crescimento, de contínuo crescimento e nascimento.

Então, Senhor, e a morte?

Na morte, meu filho, voltas a nascer em e para Mim, se a tua vida foi um contínuo nascimento e crescimento em e para Mim.
Só que a morte em Mim, torna-se no derradeiro nascimento, no último crescimento, porque a partir daí já não necessitas de voltar a nascer, de continuar a crescer, nem voltarás a morrer, porque estarás em Mim, e Eu sou a eternidade.

Obrigado, Senhor, quero nascer e crescer sempre de novo, para morrer em Ti, nascendo para a vida.

Lembra-te sempre, meu filho: «Eu renovo todas as coisas». Ap 21, 5


Marinha Grande, 10 de Abril de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 2 de abril de 2018

PÁSCOA – VIGÍLIA PASCAL


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Na Vigília Pascal, na minha querida paróquia da Marinha Grande, foram baptizados quatro adultos, numa celebração extraordinária de intimidade com Deus, emotiva até, que me fez dar graças a Deus por me ter feito reencontrá-lO.

As palavras do Vigário Paroquial, Padre Patrício Oliveira, (que bela homilia, tão simples, tão próxima, tão cheia de Deus), vieram directas ao meu coração e fizeram-me lembrar tudo o que fui, tudo o que sou e tudo o que posso vir a ser, pela graça de Deus.

Esta Páscoa do Senhor Ressuscitado, sentia-a também como a minha Páscoa, a Páscoa da minha vida, quando renasci e encontrei a Vida Nova, aquela que nunca acaba.

Com efeito, andei tanto tempo afastado de Deus, por caminhos de vícios vários, que bem posso dizer que estava morto para a vida verdadeira, e que foi o reencontro com o Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, que há anos atrás, foi e continua a ser a Páscoa que sempre quero viver na minha vida.

E durante esta Vigília Pascal tudo me passou pela memória, mas já não senti vergonha nem culpa, (como as poderia sentir se acredito na misericórdia de Deus e no seu infinito perdão), mas senti uma paz imensa que me levou ainda mais a acreditar que “se com Cristo morremos, com Ele ressuscitamos”.

Como gostaria de ter palavras que exprimissem o que senti, o que vivi naquela Santa Noite e que ainda vivo no meu coração!
E, depois, dar aos meus irmãos na fé, na Comunhão, o Corpo do Senhor na Hóstia Consagrada, emocionou-me, fez-me sentir que a bondade de Deus atinge todos, até mesmo aqueles que durante tanto tempo O rejeitaram, mas que para Ele e por Ele continuaram a ser amados pelo Amor verdadeiro.

Senti-me um pouco como aqueles que foram baptizados, crismados e que pela primeira vez receberam o Corpo do Senhor, ou seja, como se Ele me dissesse, (como tantas vezes me faz sentir no coração), «Eu renovo todas as coisas».

De coração cheio, de alma repleta de alegria, só posso dizer a Deus as palavras que pouco exprimem, mas que saem de dentro de mim:

Obrigado meu Deus pela paróquia que me deste, pelos sacerdotes que colocaste ao seu/teu serviço, por todas as minhas irmãs e irmãos na fé que chamaste a fazerem parte desta comunidade paroquial.
Obrigado, meu Deus, porque me achaste digno de receber a graça de Te reencontrar.
Glória e louvor a Ti, Senhor, hoje, sempre, pelos séculos sem fim.


Marinha Grande, 2 de Abril de 2018
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 30 de março de 2018

QUE É A VERDADE? - SEXTA FEIRA SANTA 2018


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Começa o julgamento.
Agora vai ser julgada a Verdade, vai ser julgada a Justiça, vai ser julgado o Amor!

A justiça torna-se injustiça, porque os homens de coração fechado, cegos pelo ódio, tolhidos pelo medo de perderem as suas prerrogativas, não conseguem ver a Verdade, não conseguem ver o Amor.

Pilatos pergunta-Lhe o que é a Verdade e não obtém resposta, porque a Verdade está diante dele e ele não a consegue ver, cego que está pelo seu poder.
Entregam-no aos seus algozes, como “cordeiro ao matadouro” no dizer cru de Isaías, e Ele nada diz, nem um queixume se ouve.

As bofetadas, as cuspidelas, as palavras ofensivas que Lhe são dirigidas não Lhe interessam, não O ofendem sequer.
Aquilo que O ofende e faz sofrer, são os nossos pecados, as nossas fraquezas, que Ele sabe continuarão, apesar do Seu sacrifício.

Colocam-Lhe a cruz aos ombros.
A cruz da ignominia, a cruz dos condenados, é colocada aos ombros do Perdão, aos ombros daquEle que não condena, mas usa de toda a misericórdia para com todos.
Cada passo, cada queda, cada olhar de escárnio que Lhe dirigem, suscita sempre n’Ele a mesma oração, agora intima, interior, mas que mais tarde, na hora derradeira, se vai tornar audível: «Perdoa-lhes Pai, que não sabem o que fazem.»

Deitam-nO sobre a cruz.
Apontam os cravos, pegam nos maços e com fortes batidas rasgam a Sua carne, perfuram as Suas mãos e os Seus pés.
Cada som cavo de cada martelada, lembra-nos o meu pecado, o nosso pecado!
Que fácil é atirar as culpas para cima daqueles que o faziam, como se não fossemos nós todos que O crucificamos!

Levantam-nO ao céu.
A cruz enterrada na terra, aponta agora o Céu.
É uma escada que devemos subir, fortemente agarrados, entregues a ela, porque só nela encontramos a salvação.

De cima da cruz, Ele olha para os seus algozes, Ele olha para nós, com o mesmo olhar com que olhou para Pedro a seguir a este O ter negado.
É o único olhar que Ele tem, o olhar da compaixão, o olhar da misericórdia, o olhar do perdão.

«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»

Nesta entrega ao Pai, entrega-nos também a nós, entrega o Seu espírito, para que esse mesmo Espírito seja derramado sobre todos nós, sobre mim, e assim possamos abrir os olhos e reconhecer a Verdade, a Justiça e o Amor.

Faz-se um silêncio avassalador!
Não o silêncio da morte, mas o silêncio da espera, o silêncio que se vai tornar alegria na hora da Ressurreição!

Ah, Senhor, prostrado, joelhos em terra, olhos baixos de vergonha, com lágrimas de contrição, apenas Te digo: Perdoa-me, Senhor, que não sei o que fiz, que não sei o que faço, quando Te crucifico com o meu pecado.

E Tu, Senhor, nesse Teu infindável amor, com esse Teu olhar de misericórdia, com o coração repleto de perdão, apenas me dizes: Levanta-te e anda. Vigia e ora para que não entres em tentação. Não temas que Eu estou sempre contigo.
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Sexta Feira Santa 2018
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 20 de março de 2018

DONS E TALENTOS AO SERVIÇO

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Há dias atrás, no Sábado do retiro da equipa do Alpha Marinha Grande em São Pedro de Moel, fomos, alguns de nós, tomar o pequeno almoço a uma pastelaria perto da Capela daquela praia.

Dentro da pastelaria, voando e saltitando por entre as mesas estava uma pequena ave, como a fotografia demonstra.
É, pelos vistos, visita permanente na pastelaria.
Diligentemente ia comendo as migalhas que caiam pelo chão, mantendo assim aquele espaço limpo, pelo menos de migalhas.

Fiquei a pensar em tudo aquilo e quis ver ali a mão de Deus, não tanto pela existência da ave e o que fazia, mas como símbolo dos dons e talentos que Deus vai dando a cada um.

A pequena ave tem um “talento” e um “serviço” que é limpar de migalhas o chão daquela pastelaria, e fá-lo com graça, com alegria, (até assim podemos dizer), tornando-se agradável a quem ali vai.

Muitos de nós temos dons e talentos que Deus nos dá e não os colocamos ao serviço dos outros.
Por vezes até, sendo chamados, ou pedindo-nos para fazermos determinados serviços que nos parecem menores, desculpamo-nos com razões tais como, “eu não tenho jeito para isso”, ou “não sou capaz”, etc., etc., porque temos vergonha, porque não queremos ser vistos em tais trabalhos.

E, no entanto, conseguimos ver a beleza de Deus naquela ave e naquilo que ela ali faz, conseguimos ver como Deus nos toca através daquela simples ave e do “serviço” que ela faz com alegria e simplicidade.

Deus na Sua infinita bondade, aprecia de igual modo o que varre a igreja e o que dá formação aos outros.
Se os nossos dons e talentos vêm de Deus, então todos eles são importantes e agradáveis de igual a modo ao próprio Deus.
Arrisco-me até a dizer que aqueles que, humildemente, aceitam fazer trabalhos, serviços que parecem aos nossos olhos menores, têm aos olhos de Deus um “valor” diferente, porque não se importam com os respeitos humanos, colocando acima das “vergonhas humanas”, o servir a Deus, servindo os outros.

Sejamos pois disponíveis, diligentes, alegres, empenhados no serviço, seja ele qual for, a que formos chamados para servir a Deus servindo os outros, na certeza de que Ele olha para nós com todo o Seu amor e não deixará de tocar o coração de outros irmãos nossos, servindo-se do nosso testemunho de humilde serviço e entrega.


Marinha Grande, 20 de Março de 2018
Joaquim Mexia Alves
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Nota: A fotografia não é muito nítida. A ave em questão está nas costas da cadeira da esquerda da mesa em frente.
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sábado, 10 de março de 2018

24 HORAS PARA O SENHOR


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Estive três horas, Senhor, hoje em adoração, em oração, de madrugada, cumprindo o pedido das vinte e quatro horas de adoração feitas pelo Papa Francisco.

E sinto-me um herói!?
Pobre tolo!
De vinte e quatro horas de um dia inteiro que me foi dado por Ti, Senhor, dei-Te três horas, e sinto-me herói!?

Ah, pois, Tu “só” deste a Tua vida por mim!
Ah, pois, Tu “só” estás comigo vinte e quatro horas por dia comigo, até mesmo quando eu não estou contigo, e eu dei-Te três horas!?
Ah, pois, Tu “só” Te preocupas comigo em todas as coisas da minha vida, mesmo nas mais comezinhas, mas eu sinto-me herói porque estive contigo três horas!?

E estive essas três horas por Ti e pelos outros, ou por mim e pelas coisas que eu acho que necessito?

Ai, Senhor, como posso eu dizer que Te amo, se me sinto herói por te dar três horas da vida que Tu me deste?

Ai, Senhor, como eu gostaria de ser muito mais como o Santo Francisco Marto, para Te fazer companhia, para fazer companhia ao «Jesus escondido», e não procurar que Tu me faças companhia nas escassas três horas que Te dei!

Resta-me a consolação de saber que Tu sabes quem eu sou e como sou, e a consolação de saber que a Tua misericórdia é infinitamente maior do que o meu eu, e que, portanto, olhas para mim com o Teu olhar de bondade, de amor, e me apertas junto a Ti, dizendo-me: Gostei tanto, Joaquim, das tuas três horas que me deste!

E eu envergonhado, baixo a cabeça, fujo ao Teu olhar e digo-te: Oh, Jesus, ensina-me a amar como Tu!



Marinha Grande, 10 de Março de 2018
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 4 de março de 2018

QUARESMA 2018


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Levanto os olhos e vejo o deserto à minha frente.

Descalço-me porque quero sentir os grãos de areia nos meus pés de peregrino.
São tantos como os meus pecados!
Peregrino no deserto!
Peregrino à procura de mim, ou melhor à procura de Deus em mim.

Ao fundo vejo-O sentado numa pedra, em profunda meditação.
O diabo ronda-O, solícito, feito de palavras mansas, a querer enganar a Verdade.
Mas a Verdade não se engana, nem é enganada, permanece, porque toda ela é Amor.

Aproximo-me.
Quero ver, sentir aquela “luta”, que eu acredito e sei, será perdida pelo inimigo.

Acho que Jesus, (é Ele, sim, que eu vejo ao longe), até olha o inimigo com bondade, com misericórdia, mas ele insiste em querer enganar, no fundo em querer perder-se, cada vez mais.
Com um simples gesto, Jesus afasta-o, porque a hora passou e o inimigo já não tem argumentos, foi derrotado.

Fico quieto, imóvel, quase sem respirar, porque agora aquele que nos quer fazer perder, volta-se para mim e aproxima-se envolto numa beleza incrível.
(Ah, quisera eu que ele fosse horroroso como o pintam!)
Sinto-me vacilar, sei-me fraco, pecador, frágil e temo, temo muito.

Olho mais ao longe, para Jesus, e digo-Lhe com o meu olhar: Senhor, salva-me!

Ouço então a Sua voz dentro de mim, envolta num amor tal, que a beleza do tentador fica ofuscada por este amor.
Meu filho, estes são os dias da penitência, diz-me Jesus ao coração.
Não tenhas medo, Eu estou contigo.
Ouve o tentador, percebe bem em que falhas, em que te sentes mais fraco, em que sentes que já caíste e podes voltar a cair, e depois, agarra-te bem à minha mão, entrega-me o teu coração, e deixa que Eu faça tudo novo em ti.

O inimigo afasta-se, mas vai olhando para trás, como que dizendo: Vou agora mas hei-de voltar!

E Jesus diz sorridente: Enquanto estiveres comigo, ele voltará sempre, mas sempre será derrotado, porque o amor prevalece e é o meu amor maior do que todo o mal.

Baixo a cabeça, sorrio na alegria de Deus, e digo a Jesus cheio de amor: Obrigado, Senhor, por esta quaresma que nos permites viver!


Marinha Grande, 20 de Fevereiro de 2018
Joaquim Mexia Alves

Texto publicado no Grãos de Areia, Boletim mensal da Paróquia da Marinha Grande
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CINZAS

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Olho-me através do meu pecado e não gosto do que vejo.

Queria ver Cristo em mim, mas apenas O vejo ao fundo, por detrás de tanta coisa errada que faço, por detrás de tanto pecado que cometo.
E Ele quer tanto estar na frente de tudo isso na minha vida!

Sou eu que O não deixo estar à frente na minha vida, porque muitas vezes não O ouço, não deixo que Ele me toque com o Seu amor e perdão.

Mas Ele sorri-me, sempre com aquele olhar de misericórdia, (o mesmo que tocou Pedro e o fez chorar), sempre de braços abertos, suplicando-me para O chamar, para Lhe abrir a porta, para Ele poder entrar.

Sabes, diz-me Ele a sorrir: «Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5

De mansinho abro-Lhe a porta e, mais de mansinho ainda, Ele entra, toma-me pela mão, senta-se comigo, e com o Seu olhar mais terno, diz-me: «Eu vim para que tenhas vida e a tenhas em abundância.» Jo 10, 10

Deixo que Ele me conduza, me mostre tudo que precisa ser mudado, (e é tanto, meu Deus!), me ensine o arrependimento, o compromisso de não voltar a pecar, e depois digo-Lhe baixinho: Mas, Senhor, sabes como sou fraco!

Mais uma vez me sinto inundado pelo Seu amor e ouço a Sua voz: Eu sei, meu filho, mas o meu amor é infinitamente maior que o teu pecado e o meu perdão incomparavelmente maior que os grãos de areia de uma praia!

Liberto do peso da culpa, sinto as cinzas na minha fronte.

Baixo a cabeça e humildemente digo: Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim pecador!


Marinha Grande, 14 de Fevereiro de 2018
Joaquim Mexia Alves 
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O SILÊNCIO

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Cala a tua voz,
acalma o teu coração,
sossega o teu pensamento,
vive o momento de encanto.

Às coisas do mundo diz não,
deixa-te ouvir a voz do vento,
porque no silêncio que fazes,
fala-te o Espírito Santo.

Não percas esse momento,
deixa-te ficar em silêncio,
porque Deus quer-te falar,
de como te tem amor,
amor para além do tempo,
amor que é sempre amar,
num abraço abrasador,
que te transforma por dentro.

Escuta,
não tenhas medo,
de ficares assim calado,
escuta o que Ele te diz em segredo,
e depois de bem O ouvires,
depois de tão bem O sentires,
entrega-te,
abandonado,
sabendo que Ele está contigo,
em cada sopro que respires,
assim,
mesmo a teu lado,
envolvendo-te no Seu amor,
e responde-Lhe simplesmente,
num murmúrio sussurrado:
Amo-Te para sempre, Senhor!



Monte Real, 6 de Fevereiro de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O BAPTISMO DE JESUS

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Tinha Jesus Cristo “necessidade” de ser baptizado?
Claro que não!

Mas Jesus quis fazer-se em tudo igual a nós, pecadores, embora n’Ele não houvesse pecado.
Quis assim mostrar-nos que a “porta” de entrada para os filhos de Deus, se dá pelo Baptismo e que, pelo Baptismo, nos tornamos filhos de Deus, templos do Espírito Santo.
No Baptismo de Jesus, revela-se a Santíssima Trindade, no Filho que se baptiza, no Pai que dá a voz e no Espírito Santo que se derrama.
Podemos dizer que deixando-se baptizar, Jesus Cristo, “sacramentaliza” o Baptismo, prenunciando já aquilo que vai dizer aos seus Apóstolos após a Sua Ressurreição.

«Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 18-20

E também nos quis mostrar a humildade como virtude de comunhão com Deus, porque sendo Ele verdadeiro Homem, mas também verdadeiro Deus, não tinha “necessidade” de se deixar baptizar, e ainda por cima por um homem.
Mais ainda, fê-lo publicamente, à frente de todos, porque o Baptismo embora sacramento “individual” para cada um dos que se baptiza, é sempre, ou assim deve ser, sacramento comunitário, sacramento da família de Deus, reunida em Igreja.

Por vezes nós queremos ou gostávamos, que os batizados dos nossos filhos e netos fossem assim uma festa para a nossa família, como se se tratasse de algo pessoal, que só à nossa família diz respeito.
E realmente diz respeito à nossa família, mas é à nossa família de Deus, que se faz presente na comunidade reunida em nome de Jesus Cristo, cuja porção mais próxima é a nossa comunidade paroquial.
Por isso as paróquias escolhem dias para os baptismos ao longo do ano, e os mesmos são celebrados nas Missas Dominicais ou na Vigília Pascal, para que a comunidade esteja reunida e celebre a festa do “novo” nascimento, daquele que tendo nascido para a vida, nasce então pelo Batismo para Deus.

«Em resposta, Jesus declarou-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus.»
Perguntou-lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?»
Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.» Jo 3, 3-5


Marinha Grande, 16 de Janeiro de 2018
Joaquim Mexia Alves
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Nota: Texto publicado no "Grãos de Areia", Boletim Paroquial da Marinha Grande.
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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

TALITHA KUM

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Levanta-te!

Não te deixes ficar adormecido,
numa fé rotineira
vazia e sem sentido!

Levanta-te!

Não julgues que a salvação,
já é tua,
só porque bates no peito com a mão!

Levanta-te!

Acorda os outros também.
Se precisas de não fazer o mal,
mais precisas de fazer o bem!

Levanta-te!

Dá-te a ti mesmo de comer,
a Palavra de Deus,
que fortalece o teu viver.

Levanta-te!

Toma a tua cruz.
Coragem!
Lembra-te que o teu Cireneu
É Jesus!


Monte Real, 31 de Janeiro de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

PERDOAR É TAMBÉM DESEJAR O BEM PARA OS QUE NOS OFENDEM!

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Em mais uma madrugada acordado, veio ao meu coração, ao meu pensamento, esta frase: Perdoar é também desejar o bem para os que nos ofendem!

Fiquei então ali a pensar nesta frase e rezando, pedindo ao Espírito Santo que me desse o discernimento para tal frase, apesar de a mesma sem bem clara e concisa.

Não basta apenas perdoar como um acto da nossa vontade, (iluminada por Deus, claro), mas para que esse perdão seja efectivo, ou melhor, para que ele se torne em paz verdadeira para nós e para os outros, temos que ir mais longe, temos que desejar o bem àqueles que nos ofendem.

Só esse desejo, que acompanha o perdão, leva à mudança de atitude interior e exterior para com aquele que nos ofende.
Mas para que tal mudança aconteça em nós, (e já sabemos como é difícil perdoar, quanto mais desejar o bem ao ofensor), é preciso a conversão, a mudança interior, e para isso acontecer, apenas com o auxílio de Deus, envoltos no Seu amor, podemos conseguir.
Assim precisamos rezar por quem nos ofende, porque será essa oração, pelo amor de Deus, que irá transformando o nosso coração, os nossos pensamentos, e nos levará, para além do perdão, a desejar o bem para quem nos ofende.
E então, quando tal acontece, a paz é imensa, a alegria interior é uma verdade, e nós sentimo-nos incrivelmente bem.

O perdão une, a falta de perdão divide!

Com efeito, o perdão é coisa divina, é amor, e assim sendo une, constrói, dá vida, dá paz, dá alegria.
A falta de perdão é rancor, ressentimento, (que por vezes até leva ao ódio), e portanto destrói, mata, causa tristeza, divide.
E nós sabemos bem de onde vem aquilo que divide, quem é aquele que divide!

Pensamos muitas vezes que tal ofensa, tal ofensor, não seremos capazes de perdoar.
Mas o perdão é um acto da nossa vontade, e como tal tem que partir de nós essa vontade.
Se desejamos perdoar, se temos essa vontade, Deus conhece esse desejo, essa vontade em nós, e se nos colocarmos perante o Seu amor, se Lhe pedirmos ajuda na oração contínua, não só por nós, mas rezando também pelo ofensor, lentamente Ele irá colocando no nosso coração, na nossa vida, a paz e a força necessária, para não só perdoarmos, mas também para acabarmos por desejar o bem para o nosso ofensor.

E então ficamos unidos interiormente, já não há divisão em nós, e a paz instala-se, afastando a tristeza, a amargura, que tantas vezes leva ao mal-estar psíquico e físico.

Deus é a união perfeita na Santíssima Trindade, por isso tudo o que vem de Deus é união, é amor.
Por isso só unidos interiormente, só unidos aos outros pelo amor que Deus coloca em nós, estaremos em comunhão com Deus.

Por isso, também, o perdão é “coisa” divina, a que o homem tem acesso, pela graça de Deus!


Marinha Grande, 23 de Janeiro de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

AS “NOTÍCIAS” SOBRE A IGREJA

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As “notícias” nos jornais, televisões, revistas, etc., sucedem-se a um ritmo impressionante, criando casos, ou “denunciando”, segundo eles, ataques ao Papa Francisco, obviamente pelos sectores ditos conservadores da Igreja, Cardeais, Bispos, Sacerdotes, Leigos, etc., etc.

Este tipo de jornalismo tem apenas um fim: desacreditar a Igreja e a religião católica.

Aproveitando o facto do Papa Francisco ser muito mais mediático do que os seus antecessores, dá-se notícia de todos os problemas, (a que chamam oposição), para sustentar esta teoria do ataque ao Papa Francisco.
Quem se quiser lembrar, (e é fácil procurar), poderá constatar que Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, (para referir apenas estes), sofreram os mesmos problemas, ou idênticos, mas que, por não serem tão mediáticos, não foram notícia maciça na comunicação social.
Desenganemo-nos, pois este tipo de jornalismo não está preocupado com o Papa Francisco nem com a Igreja, está preocupado sim em fazer passar o seu desiderato de afirmação do politicamente correcto, das ditas causas facturantes, que destroem a família e a sociedade, e para isso, claro, é preciso desacreditar a Igreja Católica e o Cristianismo.

Mas todos nós, ou pelo menos uma grande parte de nós, que falamos, escrevemos, opinamos, etc., publicamente nas redes sociais e não só, somos também culpados, porque publicamos tais “notícias”, criamos debates sobre as mesmas, e assim, provocamos muito mais divisão do que união.

A Igreja, graças a Deus, vive da unidade, reconhecendo a sua diversidade.
A Igreja, como Cristo, não exclui, mas apenas inclui, ou deve incluir.
Desde que em unidade com aquilo que a Igreja diz na sua Doutrina, na sua Tradição, nos seus Documentos Dogmáticos, e portanto em união com o Papa e o Magistério, as Missas podem ser em latim, (com mais ou menos pompa), a Comunhão pode fazer-se na mão, (desde que seguindo os preceitos para tal estabelecidos), e tantas outras coisas que são alvo de discussão entre os chamados conservadores e os chamados progressistas, tudo é possível e tudo é agradável a Deus, porque é vivido em unidade de Igreja.

Aliás a imagem da Igreja como Corpo de Cristo, é particularmente interessante quando pensamos nisto.
O corpo é um todo, com mãos, pernas, etc., e não é perfeito se lhe faltar alguma parte.
No entanto eu posso preferir usar a mão esquerda ou a direita, posso preferir cruzar a perna direita ou a esquerda, mas nada disso impede que o corpo não seja corpo e não esteja unido e coeso.
Não faz sentido, (e ninguém o faria porque causava dor a si próprio), cortar uma mão, um braço ou uma perna, por exemplo, porque por qualquer razão essa parte do seu corpo não lhe é querida.

Assim, todos têm lugar na Igreja, desde que respeitem tudo aquilo que a Igreja é, ou melhor, que Jesus Cristo quer que seja, e isso está bem determinado ao longo dos séculos que a mesma Igreja já tem de longevidade, pela graça de Deus, até aos dias de hoje e para sempre, guiada pelo Espírito Santo.

Não demos a quem está de fora e deseja destruir a Igreja, razões para acreditar que o pode fazer, mas unamo-nos no amor a Deus e aos irmãos, (todos sem excepção), e rezemos unidos, embora vivendo a fé na diversidade de cada um ou de cada grupo, mas unidos em Igreja.

Os problemas de uma família discutem-se em família.
Ninguém traz para a praça pública a discussão dos seus problemas de família.

Assim devemos também fazer em Igreja, para não darmos azo a que outros, a quem move apenas o mundo, o politicamente correcto, possam vir deitar “achas na fogueira” da discórdia, da divisão, porque apenas um fogo deve consumir a Igreja e os seus membros, e esse fogo é o Espírito Santo.

Rezemos pelo Papa Francisco, pela Igreja e por todos nós que vivemos a fé em Igreja, e não demos “audiência” a quem não procura a verdade, mas pelo contrário, apenas pretende impor o seu modo de vida, conduzido pelo príncipe do mundo.


Marinha Grande, 3 de Janeiro de 2018 
Joaquim Mexia Alves 
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

CONTO DE NATAL 2017

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Faltavam dois dias para o Natal.

Ao pensar nisso uma tristeza imensa tomou conta dele, porque sabia que seria já o segundo Natal sem o seu filho.
A última discussão por causa da vida de drogas sem sentido que o filho levava, tinha chegado a um tal extremo, que o filho tinha saído de casa, e ele, pai, nada tinha feito para o impedir.
Queria convencer-se de que fora melhor assim, porque o filho tinha que ser confrontado com a realidade da vida, e, se ele continuasse a sustentar-lhe aquele vício, o fim, com certeza, não estaria longe.

Mas vivia atormentado pela ausência do filho, (nunca mais o tinha visto ou falado com ele desde há cerca de dois anos), pelo medo de ter errado na sua decisão, e também porque via a sua mulher definhar em tristeza todos os dias, com a ausência total daquele seu filho único.

Absorto nos seus pensamentos, guiava como um autómato, e por isso só deu conta no último momento, daquela mulher que atravessava a rua na passadeira de peões.
Deu uma guinada repentina com o volante e foi bater com grande violência num poste de iluminação na berma da rua.
Apercebeu-se de imediato que o acidente tinha sido muito grave, sobretudo para ele, porque sentiu-se coberto do seu sangue, perdendo rapidamente a consciência.

Um estranho vazio tomou conta dele e percebeu que ouvia umas vozes, mas nada conseguia entender e também não conseguia abrir os olhos, não conseguia acordar, enfim, era mesmo um vazio imenso que ele sentia profundamente em todo o seu ser.

Neste espaço de tempo, sem tempo, (para ele), ouviu a certa altura, nitidamente, a palavra Natal, e percebeu que já conseguia abrir os olhos, que estava agora “acordado”!

Abriu então os olhos e encontrou logo à sua direita a cara sorridente da sua mulher, que lhe agarrava numa mão, e percebeu-se deitado numa cama de hospital.
Achou no entanto muito estranho aquele sorriso tão rasgado da sua mulher.
Com o seu olhar perguntava-lhe insistentemente a razão de tal sorriso, e reparou então que ela olhava para si e logo de seguida para o seu lado esquerdo.

Voltou a cabeça com alguma dificuldade, e o seu olhar encontrou o olhar do seu filho, que, com lágrimas nos olhos e inclinando-se para ele, lhe disse ao ouvido: Desculpa, pai, desculpa.

Respondeu-lhe com a voz sumida, carregada de emoção: Não te preocupes, meu filho. Que dia é hoje?

O filho olhou para ele e respondeu: É noite de Natal, pai, e estás no hospital há dois dias!

Fechou os olhos e interiormente disse com o coração: Obrigado Jesus, pela mais bela prenda de Natal que me podias dar.

Depois, apertando com mais força a mão da sua mulher, pediu ao seu filho que se inclinasse para ele, e dando-lhe um beijo terno na testa, disse: Feliz Natal, meu filho, Feliz Natal!


Marinha Grande, de 19 Dezembro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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Nota: 
Com este Conto de Natal, quero desejar a todos quantos visitam  esta página e suas famílias, um Santo Natal e um Novo Ano cheio das bênçãos de Deus.
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