quinta-feira, 23 de março de 2017

SOBRETUDO OS MAIS NOVOS, JESUS!

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A Mãe olhou para o Filho e disse-Lhe com os olhos cheios de gratidão:
Obrigado, meu Filho! Amo tanto aqueles Pastorinhos!

Depois chamou a Jacinta e o Francisco, que pastoreavam umas ovelhas novinhas pelo Céu, abraçou-os, e disse-lhes:
Preparai-vos, porque ides receber uma grande graça! Como sabeis, aqui no Céu somos todos Santos, mas fostes escolhidos, agora, para serdes exemplo de santidade para os que ainda vivem no mundo.

A Jacinta olhou a Mãe e disse:
Eu quero tanto fazer sacrifícios pelos pecadores!

O Francisco encolheu-se todo, quase como se desaparecesse, e disse também:
Eu fico aqui, no meu cantinho, a rezar, sempre a rezar, ao meu Jesus que já não me está escondido!

Maria, cheia do seu dulcíssimo instinto maternal, abraçou-os e falou-lhes baixinho:
Temos que rezar muito, para que os mais jovens vejam na vossa entrega, na vossa santidade, o caminho seguro a seguir. O mundo precisa tanto, mas tanto, que os mais jovens encontrem Jesus nas suas vidas!

Deram as mãos os três, ajoelharam-se numa nuvem de amor, e rezaram:
«Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos, peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.»

E a Jacinta e o Francisco ainda acrescentaram baixinho:
Sobretudo os mais novos, Jesus! Sobretudo os mais novos!


Monte Real, 23 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 22 de março de 2017

UM ESPINHO PARA RECORDAR QUE NADA SOU!

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E depois, Senhor, sempre o orgulho!

De cada vez que falo em Teu Nome, que rezo em Teu Nome, que faço algo em Teu Nome, lá vêm os “elogios”, e com eles lá vem o orgulho, a vaidade, e o doloroso sentimento de me sentir envergonhado comigo mesmo, de me sentir um fraco, incapaz de resistir às coisas do mundo.

E eu rezo, peço, suplico, entrego-me, (ou tento entregar-me), pedindo-Te força, pedindo-Te “armas” para combater esse orgulho, essa vaidade, e Tu, Senhor, não me respondes, pareces-me quase indiferente ao meu problema, parece-me que olhas para o lado!

O que queres Tu que eu faça, Senhor?
Não me ajudas?

Olho-Te nos olhos e vejo-os sorrir, quase irónicos, mas cheios de bondade.

Pegas-me na mão, encostas-Te a mim, e dizes-me baixinho:
Vês-me preocupado com isso, Joaquim? Nem um pouco! Enquanto tu te preocupares, está tudo bem, mas não deixes nunca de fazer o que Te é pedido por causa desse orgulho.

Insisto com Ele:
Mas, Senhor, a Ti tudo é possível, por isso peço-Te que afastes de mim este sentimento de orgulho, que é uma fraqueza em mim.

Apertas-me e dizes-me:
Basta que o reconheças e não o queiras em ti. Quantas vezes o reconheceres e dele te arrependeres, quantas vezes Eu te perdoarei. Não querias que fosse tudo fácil, pois não? É para Te lembrar que precisas sempre de Mim, e que sem Mim nada podes.

Rendo-me, e digo:
Oh, Senhor, como o Teu amor é grande e cheio de sabedoria! Como Tu me conheces tão bem!
Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 22 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 21 de março de 2017

QUARESMA 2017 (12)

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Sigo o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra no meu caminho, tem hoje escrito: Perdão!

Tu és um homem de perdão, diz-me o “outro”, não ligues a esta pedra.
Eu sei o que ele quer, por isso não lhe ligo e sento-me na pedra.

Sim, realmente, se pensar na minha vida hoje em dia, tudo faço para perdoar ofensas antigas e para pedir perdão pelas ofensas que cometi, embora nem sempre seja fácil.
O Senhor ensinou-me a rezar por aqueles que me ofenderam ou eu ofendi, e essa tem sido a melhor maneira de perdoar e recordar tudo sem mágoa e ressentimento.

Mas, e o perdão àqueles que não me ofendem directamente, que ofendem, por exemplo, a minha espiritualidade, a fé cristã, ofendem a humanidade, praticando actos terríveis contra outros, contra populações ou comunidades inteiras?
É tão “fácil” classificá-los de inumanos, de “animais irracionais”, de tudo e mais alguma coisa.
É tão “fácil” desejar quase a sua morte, como castigo pelas atrocidades que cometem contra outros.
Mas não são eles homens como eu, criados por Deus também?
E todos eles serão conscientes, verdadeiramente conscientes do mal que fazem?
Só muita oração, por eles, pelo seu encontro com uma consciência humana bem formada, pelas suas vitimas, e por mim próprio, para que Deus consiga que eu veja neles, apesar de todo o mal, a Sua criação, e assim sendo, sempre o possível arrependimento, emenda e salvação, visto que Cristo morreu por todos, mesmo por todos e por cada um em particular.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “perdão”, na qual preciso meditar muito tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “perdão” vem de Ti, mas que também parte da nossa vontade, para podermos perdoar fazendo a Tua vontade.


Monte Real, 21 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 20 de março de 2017

QUARESMA 2017 (11)

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Continuo a fazer o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Esta pedra do caminho, tem escrito, algo muito especial: Pai!

O “outro” segreda-me ao ouvido que eu sou muito bom pai, que não me preocupe.
Como sempre duvido dele.

Não duvido, nem um pouco, do meu amor de pai pelos meus filhos!
Mas isso não impede que me pergunte se sou um bom pai para os meus filhos.
Sou eu um pai presente, e este presente, tem pouco a ver com presença física?
Sou eu um pai que dá testemunho de coerência de fé, de honestidade, de entrega?
Quantas vezes não deixo eu que se coloquem trabalhos, (mesmo da Igreja), à frente dos meus filhos?
Percebo e vivo eu a certeza de que a primeira vocação que Deus me deu como família, é ser pai?

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “pai”, na qual preciso ficar sentado bastante tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o ser “pai” vem de Ti, e que só em Ti posso ser pai verdadeiramente, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 20 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 16 de março de 2017

QUARESMA 2017 (10)

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Sigo pelo caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra de que me aproximo, tem escrito: Tempo!

O “outro” julga descansar-me quando me diz que eu tenho todo o tempo do mundo.
Mas eu sei que não é assim.

Até poderei ter todo o tempo do mundo, mas o tempo de Deus é agora e sempre.
O tempo de Deus, para Deus, não é inadiável, é decisão permanente.

E não adio eu tantas decisões de mudar coisas em mim, à procura da vontade de Deus?
Não arranjo eu desculpas, para não emendar procedimentos errados, vícios repetidos, atitudes incorrectas?
Sim, é bom não querer fazer tudo ao mesmo tempo, mas que isso não sirva de desculpa para afinal nada fazer.

Sim, Deus dá-nos tempo, todo o tempo, e acolhe-nos sempre que aproveitamos o tempo para nos aproximarmos dEle, mas essa decisão de amar a Deus e fazer a sua vontade, é uma decisão de hoje, de agora, imediata, para assim podermos aproveitar, por Sua graça, todo o tempo de Deus.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “tempo”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “tempo” vem de Ti, e que o Teu tempo é agora e sempre, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 16 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 15 de março de 2017

QUARESMA 2017 (9)

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Continuo a percorrer o caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Desta vez a pedra no meu caminho, tem escrito: Poder!

O “outro” ri-se, diz-me que eu não tenho poder nenhum, por isso a pedra não é para mim.
Pois, mas ele pensa no poder do mundo e eu penso noutro “poder”.

Realmente, o poder de mandar como governante ou qualquer outro poder desse tipo, não o tenho, e até dou graças a Deus por isso.

Mas e o “poder” como pai, o “poder” de ser reconhecido em sociedade, o “poder” que advém de ser chamado a dar testemunho como cristão, em palavras e actos?
Não é esse também um “poder”, visto que pode mexer com a vida dos outros?
E como exerço eu esse “poder”?
Exerço-o para mandar, para exigir, para me fazer notado, ou exerço-o como um serviço aos outros, servindo a Deus?
É que se eu tenho esse “poder”, ele não é meu, mas vem de Deus, e é sempre um poder para servir e não para me servir.

Tanto para emendar, meu Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “poder”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “poder” vem de Ti, e que é um “poder” para Te servir, servindo os outros, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 15 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 14 de março de 2017

QUARESMA 2017 (8)

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Sem desfalecer continuo o caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra que aparece no meu caminho, tem escrito: Fazer!

O “outro”, pressurosamente, diz-me ao ouvido para não me preocupar, porque eu já faço tanto.
Preocupa-me sim, que ele me queira convencer disso mesmo, por isso sento-me na pedra e reflicto.

Realmente, penso eu, já faço tanto, já estou envolvido em tantas coisas na Igreja.
Será que não faço demasiadas coisas em detrimento de outras mais importantes, ou seja, mais da vontade de Deus para mim? Não terei eu, por vezes, um excesso de activismo?
Darei eu a atenção necessária à família que Deus me deu, por exemplo?
Quando estou cansado, esse cansaço reflecte-se mais em quê? Naquilo que faço em Igreja ou naquilo que devia fazer em família?
Não é a família “igreja doméstica”?

E este “fazer”, traz sempre também o “não fazer”, ou seja, a desculpa fácil que eu não faço mal, não roubo, não mato …
Mas faço eu o bem?
Que gostaria Deus que os outros vissem em mim: Aquele que não faz mal a ninguém, ou aquele que faz o bem sem olhar a quem?

Tanto para fazer, meu Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “fazer”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “fazer” em Teu Nome, é muito mais importante do que o “não fazer” rotineiro, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 14 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 13 de março de 2017

QUARESMA 2017 (7)

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Sigo pelo caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra que me espera ao longe, tem escrito: Dar!

O “outro” tenta-me, dizendo que eu dou tudo, que esta pedra não é para mim!
Não lhe dou ouvidos e sento-me na pedra do “dar”!

Penso então em tudo o que dou e ainda, se realmente me dou.
Nos bens materiais, percebo sem esforço, que dou muito mais do que me sobra, do que aquilo que talvez a outros faça falta.
E que às vezes, (oh vergonha!), dou mais para aliviar a consciência, do que por amor aos outros.

E a mim? Dou-me realmente aos outros? Sirvo realmente a Deus servindo os outros em entrega de mim?
Pois, mas a verdade é que procuro muito mais dar-me no que me agrada, do que naquilo que me é difícil.
E não me dou eu tantas vezes, à espera de reconhecimento, de elogio, de vã glória?

Nesta pedra, realmente, tenho que me sentar muito tempo.
Deus dá-me tanto e eu dou-me tão pouco!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do dar, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que a dádiva de Ti foi total, pois tudo entregaste por nós, até a própria vida. Ajuda-me e ensina-me a dar-me inteiramente por Ti aos outros, pois só assim a vida tem sentido, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 13 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 10 de março de 2017

QUARESMA 2017 (6)

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A caminhada continua pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Justiça!

O “outro” vem de mansinho tentando convencer-me de que eu sou muito justo!
Não vale a pena! Eu conheço-me!

Penso na justiça, na justiça com que “julgo” os outros no meu dia-a-dia, e percebo como sou duro com os outros e tão brando comigo.
Mas sobretudo medito no que deve ser a justiça de alguém que segue Cristo, ao “julgar” os outros.
É que essa justiça tem de ir muito mais longe.
Essa justiça tem que ter em si, não só o eu dar testemunho do que faço e sou verdadeiramente, mas também já deve ter a bondade, o amor, o perdão, para que não seja estéril, mas dê fruto de arrependimento e conversão, para os outros e para mim.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da justiça, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que quem julga és Tu, e que os meus “juízos” têm que ser sempre enformados da verdade, do amor, do perdão, “medindo-me” primeiro a mim, pois essa é a Tua única vontade.


Monte Real, 10 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 9 de março de 2017

QUARESMA 2017 (5)

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Sigo caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Preguiça!

Diz-me o “outro” que esta pedra é que não tem mesmo nada a ver comigo, querendo convencer-me de que eu sou muito activo, faço muitas coisas na Igreja, etc.
Não o ouço, porque já sei que me quer enganar.

E penso na preguiça.
Sim é verdade que faço muitas coisas na Igreja, mas reconheço que às vezes me deixo levar por essa preguiça, que me afasta de “coisas” bem mais importantes do que toda essa minha actividade.
Vivendo eu a 20 metros da igreja, quantas vezes deixo que a preguiça me agarre ao sofá e me leve a não participar da/na Eucaristia diária?
E não é na Eucaristia que eu devo encontrar forças, sobretudo luz divina, para todas as outras coisas que faço?
E a oração? Quantas vezes é rápida e rotineira, apenas pela preguiça de a fazer mais consciente, mais íntima, mais conversa com Deus e menos “despachar obrigação”?
Tanta coisa a mudar!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da preguiça, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver sempre com tudo centrado em Ti, lutando contra a inércia e procurando-Te em tudo, pois essa é a Tua única vontade.


Monte Real, 9 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 8 de março de 2017

PENSANDO NO MEU SOBRINHO ZÉ

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Às vezes atordoas-nos, Senhor!

É tal a dor que ficamos sem saber o que dizer, sem saber o que pensar, sem saber o que viver.

É quase uma revolta que vem de dentro de nós e se atravessa na nossa garganta, embarga-nos a voz, tolhe-nos o pensamento e ficamos ali, parados, a olhar … o infinito!

E depois Tu vens, manso, doce, terno, encostas-nos ao Teu peito, apertas-nos junto a Ti e dizes-nos baixinho ao coração: Se tu soubesses como ele está feliz!

Obrigado, Senhor, obrigado!

Guarda-o junto a Ti, abraça-o melhor do que nós o abraçámos e diz-lhe por favor, Senhor, que nós o amamos muito e o guardamos vivo para sempre nos nossos corações.

E já agora, Senhor, ouve com bondade tudo o que ele interceder por nós.


Marinha Grande, 7 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de março de 2017

QUARESMA 2017 (4)

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E a viagem continua pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Tristeza!

Nesta então, diz-me o “outro”, é que não te deves sentar.
Tu és sempre tão alegre, tão bem disposto!

Desta vez enfrento-o e digo-lhe com toda a convicção: Não me queiras enganar! Há momentos de tristeza, com certeza, e esses momentos devem ser vividos com a tristeza a eles inerente, mas sem nunca esquecer a esperança que reside nAquele que tudo é e tudo pode.
És tu, enganador, que quando peco, que quando repito os meus “pecados de estimação”, me vens colocar essa tristeza de me considerar fraco e sem forças para vencer, para me vencer.

E essa tristeza que por vezes permito que instiles em mim, é que me afasta dEle, porque pretende “bloquear” a confiança inabalável que devo ter no Seu amor e no Seu perdão.
Vai-te, que a minha alegria vem de Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da tristeza, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver sempre na Tua alegria, a alegria do amor, a alegria da confiança, a alegria do perdão, a alegria de saber que a minha salvação, é a Tua única vontade.


Monte Real, 7 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 6 de março de 2017

QUARESMA 2017 (3)

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Retomo a viagem pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Desta vez, na pedra em que sento está escrito: Crítica!

Diz-me o “outro” com voz mansa, para eu não perder tempo com esta pedra, porque a minha crítica, se a faço, (diz “ele” perversamente), é construtiva e para fazer o bem.
Graças a Deus que me julgo pecador e como tal não me deixo “embalar no canto da sereia”.

E, em vez disso, reconheço que faço muitas criticas, não só interiores, mas também da “boca para fora”, e muitas delas, (a maioria talvez), não constroem nada, não ajudam ninguém, mas são por vezes apenas para tentar “mostrar” as “minhas virtudes” em relação ao outro, pobre de mim.

«Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.» Mt 7, 5

Olho para dentro de mim, e peço ao Espírito Santo que me ajude, me ilumine, que cale a crítica em mim, e sobretudo que me faça olhar o outro sempre com os olhos de Jesus.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da crítica, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que, ver os outros com os Teus olhos, sempre, é a Tua única vontade.


Monte Real, 6 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 3 de março de 2017

QUARESMA 2017 (2)

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Prossigo a viagem pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Mais uma pedra no caminho e sento-me.
Esta tem escrito: Ressentimento!

O “outro”, que embora eu não queira me segue na viagem, diz-me logo pressuroso: Levanta-te, sai dessa pedra! Tu que falas tanto no perdão, não tens obviamente nenhum ressentimento em ti!
Não ligo ao que ele diz e fico a pensar.

É verdade que falo muito do perdão, é verdade que o perdão é algo que muito desejo conseguir ter e dar, mas será que já não há mesmo nenhum ressentimento em mim?

Obrigo-me a percorrer a minha vida, nas coisas que mais me ofenderam, que mais me magoaram, e percebo que aqui e ali, o meu coração ainda estremece ao pensar em certos momentos, sobretudo em certas pessoas.
Percebo que ainda talvez não seja capaz de ter paz no coração quando penso nessas pessoas.
Julgo que já lhes perdoei, mas ainda guardo esse “amargo” que no fundo é um ressentimento.

Com todo o amor ouço a voz do Espírito Santo no meu coração a dizer-me: Não te apoquentes. A vontade inscrita no teu coração é perdoar e é nessa vontade que vais caminhando. Reza ainda mais por aqueles que te ofenderam e por aqueles que tu ofendeste.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do ressentimento, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que só o amor aos outros, sempre, é a Tua única vontade.


Monte Real, 3 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 2 de março de 2017

QUARESMA 2017 (1)

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Começo a minha caminhada pelo deserto da Quaresma.

Vou devagar, não tenho pressa. Passo a passo para me poder encontrar, ou melhor, para deixar que o Espírito Santo me faça encontrar naquilo que sou realmente e sobretudo naquilo que desejava ser, segundo a vontade de Deus.

Uma pedra no caminho e sento-me.
A pedra tem escrito em toda a sua largura: mentira!

Uma voz estranha, incómoda, diz para eu me levantar e continuar a caminhar, porque nada tenho a ver com a mentira.
Pois, o inimigo passeia pelo deserto da minha Quaresma!

Afasto essa voz de mim, entro no meu coração e reflicto, medito, nessa pedra em que me sento.

Sim, não vejo grandes mentiras, mentiras que prejudiquem outros, mas vejo tantas outras, sem sentido e por vezes perniciosas até para mim.

Mentiras para me fazer melhor do que os outros, mentiras para me desculpar de tantos erros, mentiras ocasionais sobre coisas sem sentido, mentiras até a mim próprio, para tentar enganar a minha consciência.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da mentira, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que só a verdade, sempre, é a Tua única vontade.


Monte Real, 2 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

UM CARNAVAL A CAMINHO DA QUARESMA

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Hoje é dia de Carnaval.

Muitos colocam as suas máscaras, sobre outras “máscaras” das suas vidas, e vão divertir-se, tentando esquecer as “máscaras”, por detrás das máscaras visíveis.
Sim, eu sei, estou a julgar outros e por isso, que Deus me perdoe.

Hoje, dia de Carnaval em que se colocam máscaras, eu quero pedir a Deus que me ajude a retirar as minhas “máscaras”, a limpar o meu interior, a purificar os meus pensamentos, e a colocar-me perante Ele, nu, sem nada, (tanto quanto me é possível), pedindo-lhe que me ajude a viver esta Quaresma, (que amanhã começa), como o meu reencontro permanente com Ele.

Que eu me saiba despir de mim, para me deixar vestir por Ele, e tendo-O em mim, saiba eu reconhecer as minhas fraquezas, os meus defeitos, e, tomado pelo seu amor recomece a conversão que nunca acaba, até à plenitude do gozo com Ele e n’Ele.

Que não seja um caminho só, mas que pela Sua graça outros me acompanhem e eu acompanhe outros, porque Deus só se vive em comunidade, porque ela própria é o reflexo e o sentido da interioridade de cada um.

Que eu saiba fazer este caminho quaresmal, segundo a Sua vontade, na paz, no amor e sobretudo na alegria de reconhecer o meu Salvador.

Que no fim deste caminho quaresmal eu possa dizer como Tomé e Samuel: «Meu Senhor e meu Deus … Estou aqui! Fala Senhor, que o teu servo escuta!»


Marinha Grande, 28 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

CAMINHANDO PARA E COM DEUS

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Recentemente fui substituído numa “missão” que muito me agradava e para a qual me “sentia talhado”.
Sempre senti, desde o meu regresso a Deus e à Igreja, obstáculos pessoais que me impedem de aproximar mais e melhor da vontade de Deus, e que por vezes me afastam mesmo, dos quais julgo, para além de outros, os maiores serão o orgulho e a vaidade.
Muitos que comigo lidam talvez não os percebam na sua relação comigo, mas sinto-os eu e isso me basta.

Já uma vez, pelo menos, tive que “fazer das tripas coração”, e “exigir” em determinada eleição para um determinado “cargo” que ocupava há demasiado tempo, que não votassem em mim, porque não aceitaria continuar, não porque não quisesse ou não pudesse, mas porque uma voz cá dentro me dizia que essa era muito mais uma vontade minha, do que a vontade de Deus.
E agora, foi quase a mesma coisa, embora desta vez ajudado por bons amigos que me ajudaram a aceitar a decisão sem grande constrangimento.

Ao voltar ao que escrevi acima reparei nesta frase «determinado “cargo” que ocupava há largo tempo», e fez-se um pouco de luz sobre o assunto.
Realmente o que muitas vezes faço, (e não só eu), é “ocupar” um cargo, uma missão, em vez de servir a Deus num cargo, ou numa missão.

É que se servimos a Deus num cargo, ou numa missão, então estamos sempre disponíveis para servir a Deus em tudo o que Ele nos pedir, mas se “ocupamos” um cargo, ou uma missão, então o cargo ou a missão, tornam-se coisa nossa, que nos serve, (sobretudo ao nosso orgulho e vaidade), e não como caminho para servir a Deus.
E depois ouvimos aqueles que, com verdadeira amizade, nos dizem que somos os melhores para aquilo que estamos a fazer, e convencemo-nos disso mesmo, para não darmos azo a ser substituídos e a perder “estatuto”.

E hoje, quando meditava nisto mesmo e começava a escrever, iam surgindo razões, (a vontade de Deus tem sempre razão e é sempre razão), para ser afinal substituído e bem substituído.

E vinha ao meu pensamento essa ideia de que realmente terei muitos conhecimentos, terei até muito jeito para tal cargo ou missão, mas, deixando-me ficar, acabo por não renovar, acabo por querer fazer aquilo que acho melhor, e aquilo que eu acho melhor é aquilo que eu já faço.
Então percebi, (como todos devemos perceber), que o Senhor, no seu infinito amor, me dizia que todo o “meu saber” acumulado vinha d’Ele, e que usado agora numa ajuda, numa colaboração sincera e desprendida com aquele/aqueles que me substituíram pode ter um “valor acrescentado”, que é o novo, a novidade que eles podem trazer, também seguramente conduzidos pelo Espírito Santo.

É curioso, que até ao escrever isto que agora escrevo, me parece estar a ser orgulhoso e vaidoso, mas recorro ao Santo Padre Pio, que dizia, mais coisa menos coisa, que o inimigo se serve muitas vezes de coisas aparentemente boas, (o reconhecimento dos nossos defeitos), para nos tentar impedir de fazer a vontade de Deus.

E descanso então no Evangelho de hoje e na resposta de Jesus à pergunta dos discípulos: «Quem pode então salvar-se?» Mc 10, 26

«Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Mc 10, 27


Marinha Grande, 27 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 25 de fevereiro de 2017

HÁ MOMENTOS!

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Há momentos
em que Ele chega,
toma-nos pela mão,
ou seja,
entra-nos no coração,
e diz-nos,
como se nós não soubéssemos:
Amo-te, meu filho!

Paramos tudo,
quase deixamos de viver,
(esta vida terrena, claro),
e perguntamos,
certos da resposta:
és Tu, Senhor?

E Ele sorri,
olha-nos nos olhos,
e diz:
Alguma vez duvidaste,
que Eu morri por ti?

Envergonhados,
baixamos a cabeça,
pomos a mão no peito,
e respondemos:
Só Tu,
Senhor,
és a nossa certeza!

O Seu sorriso,
abre-se ainda mais,
enche-nos de compaixão,
 e diz-nos,
olhando-nos nos olhos,
com a voz repassada de amor:
Toma tudo o que Eu te dou,
e ama os outros,
como Eu te amo!
Ama-os,
com o Meu amor!


Marinha Grande, 25 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 18 de fevereiro de 2017

TRANSFIGURAÇÃO

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Abro os olhos desmedidamente,
Senhor!

Quero ver-Te,
assim,
na Tua glória,
com as vestes,
que nenhuma lavadeira,
podia assim branquear!

Peço-Te,
Senhor,
sê Tu a lavadeira,
que branqueia o meu coração,
lavando-o,
no Teu amor.

Já Te vejo,
Senhor,
com o meu coração branqueado,
mais brilhante do que o Sol,
mais branco do que o luar,
porque fui lavado,
no sangue do teu amor.

Transfiguração,
Razão,
Fé,
Amor,
Tu,
Senhor,
enches,
o meu coração!

Glória,
Glória a Ti,
sempre e para sempre,
Senhor!


Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 11 de fevereiro de 2017

SER “LOUCO” … DE AMOR!

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Insistes, Senhor, em mostrar-Te assim, tão humildemente!

Duas velas acesas, uma tolha bordada, uma custódia dourada, e Tu, aos olhos humanos, “apenas” um pedaço de pão redondo, “sem valor material”, sem “nada de extraordinário”.

E, no entanto, esse “pedaço de pão” é a razão porque aqui estamos, prostrados, de joelhos, sentados, seja como estivermos, mas olhando-Te fixamente e dizendo:
Obrigado, Senhor, porque estás vivo e estás no meio de nós!

Como não hão-de achar-nos “loucos”, e sem sentido, ao ver-nos olhar para um “pedaço de pão” branco?

Não conseguem ver para além dos seus olhos humanos, não conseguem abrir o coração e ver com os olhos do amor, por isso não Te conseguem ver em todo o Teu esplendor e glória!

Por isso, Senhor, derrama em todos nós, e sobretudo nesses que nos acham “loucos”, o Espírito Santo, para que em todos nós haja um Tomé, que surpreendido se prostra e apenas exclama:
Meu Senhor, e meu Deus!


Em Adoração com a Comunidade Emanuel

Fátima, 11 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
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