terça-feira, 18 de abril de 2017

BAPTISMO - 68 ANOS!

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Passam hoje 68 anos do meu Baptismo.

Passam hoje 68 anos desde que me tornei filho de Deus, templo do Espírito Santo e passei a ser Igreja.

Apesar de tantos anos que vivi afastado de Deus e da Igreja, o Espírito Santo que me foi dado neste dia, prevaleceu, e fez-me regressar ao caminho, que agora percorro empenhado, tropeçando aqui e acolá, mas nunca ficando caído, porque Ele nunca me deixa pelo chão.

O Senhor estende-me sempre a mão e levanta-me, mostrando-me que o Seu amor é muito maior do que os meus pecados, as minhas fraquezas, os meus vícios, as minhas incertezas e dúvidas, e colocando em mim uma paz, que não é a paz do mundo, mas a paz que só Ele pode dar.

Obrigado, Senhor, graças para sempre Te dou, porque me amaste primeiro!


Nota: Como não tenho nenhuma fotografia do meu baptizado, aqui fica uma da minha Primeira Comunhão, feita na Capela das Termas de Monte Real em Dezembro de 1956, a escassos metros de onde estou sentado a escrever.
Nesta fotografia, estão a minha mãe, (de mãos na cara), a minha irmã Trinda e a minha irmã Belinha, o meu irmão Zé, (espreitando), e o meu irmão Pedro.
Julgo que por detrás da cabeça da minha mãe, estará a minha irmã Mena.
A minha mãe, a Mena, a Belinha e o Zé, já esperam por nós junto de Deus.



Monte Real, 18 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

RESSUSCITOU! ALELUIA!

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RESSUSCITOU! ALELUIA!

E agora?

Agora vais viver uns dias cheio de fé exaltante, fazendo promessas e mais promessas de emendares isto e aquilo, de celebrares mais e “rotinares” menos, de te entregares todo inteiro, sem medo nem vergonhas.
Que bom vai ser!

E depois, depois, ao longo dos dias vais perdendo o ânimo, a vontade, vais “descobrindo” razões para quebrares algumas promessas, vais-te deixando envolver na rotina, vais deixando de fora da tua entrega algumas coisas da tua vida, (que são só “tuas” convenceste-te tu), vais deixando que algum medo, alguma vergonha te vá manietando em certos momentos, enfim, vais voltar ao habitual, que longe de ser mau, não é no entanto o que a Ressurreição espera de ti!

E, no entanto, Ele não “queimou etapas”!
Passou pela prisão, pelo abandono dos seus, por um julgamento iniquo, por uma humilhação feroz, por um sofrimento atroz, por uma crucificação excruciante, para culminar na exaltante Ressurreição, para te dar a Vida Nova, para te dar a Vida d’Ele, a ti!

Claro que Ele não espera que sejas a partir de agora um “santo perfeito”, um homem sem mácula, sem fraquezas, sem medos, nem vergonhas, mas espera, com certeza, que esta Páscoa te leve a um caminho mais seguro do que as anteriores, (que também foram preparando esta), espera que conhecendo-te tu agora melhor, estejas atento, vigilante, (como Ele gosta de dizer), para não te deixares cair com facilidade nos erros do passado.

Espera que não arranjes desculpas para não rezares, mais e melhor, (não são as palavras, mas o espírito da oração), porque Ele sabe que quando rezas, estás em comunhão com Ele e com os outros e assim a Sua Ressurreição torna-se Vida Nova em ti.

Ouviste, Joaquim, leste Joaquim, compreendeste Joaquim?

Então entrega-te, sem medo, e a Ressurreição será vida eterna em ti e nos outros, pela graça do Deus de misericórdia que se entregou por ti e por todos.

E não te esqueças: Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 17 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 16 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (7)

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Saído da Vigília Pascal, de coração cheio, recebi um recado dado ao meu ouvido.

Era o Sol que me dizia que amanhã não nasceria, não seria necessário, dizia, porque a luz fulgurante de Cristo Ressuscitado, tudo iluminava e a tudo dava vida.

Compreendi as suas palavras mas disse-lhe:
Ó Sol, lembra-te quer também tu foste criado por Deus e como tal para melhor o louvares e honrares neste dia da Ressurreição, deves nascer, ainda mais brilhante, mais belo, para que possamos perceber, quão mais brilhante e belo é Quem te criou!

Então o Sol deu-me a sua mão quente, (mas sem queimar), e cantando e rodopiando dançou e cantou comigo:
Jesus Cristo Ressuscitou! Ele é a Luz que ilumina e dá a vida! Glória a Deus para sempre!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!


Noite do Domingo de Páscoa
Marinha Grande, 16 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 15 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (6)

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O silêncio toma conta da terra!
A Vida está no leito da morte!

Mas ao longe, no tempo, já se ouve o ribombar do trovão, que se torna cada vez mais forte e irá eclodir em toda a terra, em toda a humanidade, com toda a sua força, tomando conta de tudo e de todos, proclamando que a morte foi vencida e que a Vida é Vida para sempre!

Aqueles que acreditam, confiam e esperam, sabem bem que não há leito de morte que possa conter a Vida, e por isso, aguardam serenamente o grito da alegria, que vindo de dentro da terra inundará todo o Universo, e transformará o homem velho, criando o homem novo.

Esta é uma espera de mudança, aquela que nos vai transformando por dentro, para nos dar uma vida nova, a vida onde pulsa o amor.

Hoje sou assim, uma espécie de túmulo na rocha do meu coração, (tapado tantas vezes por uma pedra intransponível), onde o Corpo de Jesus repousa, coração que o Corpo de Jesus visita, para que ternamente, pacientemente, o vá modificando, vá amaciando a rocha, para por fim arredar a pedra da entrada e deixar-me ouvir a minha voz dizendo: Sou Teu, Senhor! Quero ser apenas Teu, Senhor, para sempre!

De mansinho acalmo-me, deixo que Ele faça o que tem a fazer, em mim e em todos, na certeza inabalável que esta madrugada Ele será a Vida, que me/nos dará a Vida Nova.

A “brecha no tempo mortal” que Ele vai abrir, nunca mais se fechará, e essa é a nossa Fé, a nossa Esperança!

Glória e louvor a Ti, Senhor, pelos séculos sem fim!



Sábado Santo
Marinha Grande, 15 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (5)

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MORRER E RESSUSCITAR


«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!»

Este Teu brado,
Senhor,
este Teu forte clamor,
é um murmúrio,
um terno e simples murmúrio,
de infinito amor!

Deste tudo,
tudo entregaste,
por mim,
por todos,
e entregas agora o Teu espírito,
na Cruz,
com que nos resgatastes.

Sobe-me sempre do coração,
à boca,
aos olhos,
a todo o meu ser,
uma lágrima dolorosa,
ao ouvir o Teu clamor,
ao sentir o Teu sofrer,
que agora se transforma em paz,
porque sendo um grito de amor,
liberta todo o meu ser.

Prostro-me pelo chão,
embebido do Teu Sangue,
choro lágrimas de arrependimento,
abro-Te o coração,
e deixo que me toques,
apenas num breve momento,
um tempo tão simples e terno,
que sinto que esse momento,
se torna em mim eterno,
porque Te fazes presente.

Já não me interessa o meu querer,
nem lágrimas quero chorar,
volto os olhos para Ti,
e digo-te em ingente súplica:
Senhor,
deixa-me em Ti morrer,
para em Ti ressuscitar!


Sexta Feira Santa
Marinha Grande, 14 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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UMA SEMANA DE CAMINHO (4)

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Saímos da Última Ceia e Tu, Senhor, levas-me contigo.
Cheio de amor, tomas-me pela mão e convidas-me a fazer-Te companhia.

Que companhia, Senhor? Pergunto eu.

E Tu respondes, com a voz repassada de uma profunda tristeza:
Reza comigo. Preciso que rezes, que vigies, porque a hora é dura e escura.

Sinto-me um nada, mas ao mesmo tempo desperta em mim um orgulho, (por quereres precisar de mim), e começo a rezar, nem sei bem como, nem o quê.

Só dou por mim quando me tocas no ombro, docemente, e perguntas:
Porque dormes?

Ah, Senhor, perdoa-me, digo eu envergonhado tentando explicar-me, é que “adormeço” tantas vezes nas coisas da vida, quando deveria rezar, quando deveria vigiar!

Olhas para mim, ternamente, e pedes-me, (Tu, Senhor, a pedir-me), outra vez:
Reza, porque a hora é de rezar e vigiar!

Mais uma vez me comprometo, rezo e volto a adormecer.

Regressas e tocas-me, acordas-me, apertas-me junto a Ti.
Todo o Teu corpo treme, a voz angustiada, mas percebe-se em Ti a vontade inabalável de fazer a vontade do Pai.

Dizes-me então, olhos nos olhos, cheio de amor:
Sabes, meu Joaquim, quando te peço que rezes e vigies, não é por Mim, mas por ti e por todos.
Percebes agora como é fácil adormeceres e deixares de rezar e vigiar, perante as coisas do mundo?

Baixo a cabeça e digo:
Ah, Senhor, queria tanto chorar contigo, queria sofrer contigo, queria suar o meu sangue, queria ser Teu e apenas Teu!

Mais uma vez me olhas com o Teu terno olhar, mas uma multidão de gente prende-Te e afasta-Te de mim.
Estendo as mãos para Ti, mas não Te alcanço, e fujo envergonhado.

É então que me dizes, enquanto és levado pela multidão, para Te afastarem de mim, para Te afastarem de nós:
Não temas, não temas! Eu estou sempre contigo, Eu estou sempre convosco. Procura-Me no teu coração, procura-Me nos outros e sempre Me encontrarás.

Adormeço finalmente, porque a certeza da Tua presença em mim e no meio de nós, me descansa, me conforta, me enche de paz e alegria.
Nada, nem ninguém, Te pode apartar de mim, te pode apartar de nós!

Obrigado, Senhor!


Nota: Em adoração a seguir à Missa de Quinta Feira Santa.

Marinha Grande, 13 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (3)

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«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?»

Estes pés que me levaram ao pecado, que me afastaram de Ti tantas vezes, estes pés que percorreram caminhos sem rumo, nem sentido, estes pés sujos da minha incompreensão, das minhas dúvidas, das minhas incertezas, das minhas fraquezas, de tudo aquilo que eu sou, e gostaria não ser?

«Se não tos lavar, não terás parte comigo.»

Então, Senhor, lava-me o coração, a alma, o meu tudo e o meu nada, porque tudo necessita ser lavado no Teu amor.
Ser parte contigo, é o meu maior desejo, a minha maior vontade, o verdadeiro sentido da minha vida!

Aliás, Senhor, que a “minha” vida se perca, a “minha” vida de coisas do mundo, de interesses, de bens materiais, de “prestigio”, (se algum tiver), mesmo a vida que Tu me deste, se tal for necessário para fazer parte contigo.
Que a “minha” vida se perca, não só por mim, mas por todos, os que conheço e amo, os que conheço e ainda não amo, e mesmo por todos os que não conheço, para que todos façam parte contigo, e eu também, se essa for a Tua vontade.
Mas, se para todos fazerem parte contigo, for necessário que eu me perca, então, Senhor, que assim seja, porque acredito que a Tua misericórdia é sempre maior do que a minha perca.

Humildemente, Senhor, descalço-me, baixo a cabeça, confio em Ti, e deixo então que me laves os pés.

Obrigado, Senhor, e glória, glória a Ti, hoje e sempre pelos séculos sem fim!


Marinha Grande, 13 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 11 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (2)

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Pobre Pedro!

Convencido que dar a vida por Ti era coisa fácil, sem dor, logo é confrontado com a realidade: «Não cantará o galo, sem que Me tenhas negado três vezes».
E negou-Te três vezes, sem apelo, nem agravo, e depois chorou amargamente o seu arrependimento, ao cruzar os seus olhos com o teu olhar de doce e infinito perdão.

Quantas vezes me sinto forte, cheio de certezas, inabalável na convicção, e depois, às vezes, por uma coisa de nada, volto-Te as costas, abandono-Te, nego-Te, como se não Te conhecesse.

E Tu nada dizes, mas ficas serenamente à espera de cruzares o Teu olhar com o meu, à espera que o meu coração se abra ao Teu amor, ao Teu perdão, e eu “derreto-me” na Tua ternura, na doçura do - Eu amo-te – que dizes ao meu coração, e choro, choro amargamente no meu coração, não tanto por Te ter negado, mas mais por não ser digno do Teu amor.

Podia jurar, comprometer-me em compromisso inabalável, afirmando que nunca mais Te negarei, mas eu sei, e Tu sabes melhor do que eu, que essa jura, esse compromisso, vai ser quebrado quando a fraqueza da minha humanidade prevalecer sobre o amor divino que derramaste em mim.

Por isso, Senhor, apenas posso comprometer-me com tudo o que sou, a, por Tua graça, em cada negação da minha vida, procurar o Teu olhar de perdão, nele me deixar envolver, mergulhar na profundeza do Teu amor e reconhecer-Te, dizendo: «Meu Senhor e meu Deus.»

E eu sei, Senhor, com esta certeza da fé que me deste, que logo me abrirás os braços, (que aliás nunca fechas), me recolherás e apertarás junto a Ti, dizendo:
Pode o galo cantar todas as vezes que quiser, que se tu olhares para mim, entregando-te em amor, o Meu canto será melhor, o Meu canto será maior, porque é um canto de Amor.

Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 11 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 10 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (1)

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Ontem chegaste a Jerusalém!

No meio de toda aquela gente, estava também eu, a dar vivas ao Rei, àquele que me vinha libertar do jugo do opressor, dos tiranos que mandavam pela força das armas, na minha terra.

Nem por um momento duvidei disso!
Ia ser agora a hora da libertação!

E vou caminhando, vou-Te seguindo, passo a passo, nesta semana, até Te ver preso, escarnecido, humilhado, arrastado pelo chão sem reagires, e então, já não Te darei vivas, mas gritarei com todos os outros: Crucifica-O, crucifica-O!

Eu esperava, (por vezes ainda espero), por um rei que me libertasse das dores, dos sofrimentos, das contrariedades do mundo, e afinal, veio Alguém que aparentemente se deixou derrotar pelo mundo.

Pois, não compreendo tantas coisas, mas mesmo por vezes afastado, continuo a seguir-Te no caminho, na esperança que se torna cada vez mais real, que afinal vieste para me libertar, sim, mas da lei do pecado, do pecado que realmente escraviza e leva à morte.

E hoje, passada a festa da Tua chegada à cidade, recomeço a caminhada, entrando dentro de mim, para Te encontrar, para me encontrar, e durante estes dias, mesmo com medo, mesmo com dúvidas, me unir a Ti na dor, na paixão, na morte, para finalmente dar novamente vivas ao Rei que me libertou e me liberta todos os dias em que me entrego para fazer a Tua vontade.

Ajuda-me, Senhor, quero fazer o caminho do Teu amor!


Marinha Grande, 10 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 27 de março de 2017

ABENÇOADA TENTAÇÃO!

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Às vezes, vem-me assim um abatimento, uma tristeza, não entendo de onde e porquê, como que a dizer-me que estou só, espiritualmente falando, como se Deus se tivesse apartado de mim e me deixasse entregue a mim próprio e às minhas fraquezas e defeitos.

E se me distraio e não luto, há uma secura, um vazio, que me quer iludir, colocando-me dúvidas, que insidiosamente entra na minha mente e me faz perguntar a mim próprio se tudo isto faz sentido, se Deus existe, se toda esta entrega me leva realmente a algum lado.

E hoje, como tantas vezes, o dia começou assim.

Mas estamos na Quaresma e à minha mente, à minha imaginação veio a imagem de Jesus Cristo no deserto, só, em jejum, e a ser tentado pelo demónio.

Qualquer comparação, entre as duas situações, seria absolutamente absurda, mas abriu-me a mente para a realidade de que, afinal estes momentos de abatimento, de tristeza, são também uma tentação do inimigo, a querer afastar-me da certeza de Deus, da alegria de Deus, da companhia, (mesmo que aparentemente ausente), de Deus.

E quero perceber porque é que Deus permite tais momentos, permite tais tentações, como um modo de me fortalecer na fé, tornando mais consciente em mim a necessidade espiritual e de vida, de cada vez mais estar unido a Ele em oração e vigília permanente, não só por mim, mas para dar testemunho de que Ele está realmente no meio de nós e em nós.

E então, a secura pode ainda permanecer, a sensação de estar só pode ainda continuar, mas no fundo do coração brilha a luz da certeza do que Ele me diz, do que Ele nos diz, se O quisermos escutar:
Eu estou aqui e nunca daqui sairei, a não ser que conscientemente me queiras rejeitar.

Abençoada tentação, que acaba por produzir tais frutos da graça de Deus!


Monte Real, 27 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 23 de março de 2017

SOBRETUDO OS MAIS NOVOS, JESUS!

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A Mãe olhou para o Filho e disse-Lhe com os olhos cheios de gratidão:
Obrigado, meu Filho! Amo tanto aqueles Pastorinhos!

Depois chamou a Jacinta e o Francisco, que pastoreavam umas ovelhas novinhas pelo Céu, abraçou-os, e disse-lhes:
Preparai-vos, porque ides receber uma grande graça! Como sabeis, aqui no Céu somos todos Santos, mas fostes escolhidos, agora, para serdes exemplo de santidade para os que ainda vivem no mundo.

A Jacinta olhou a Mãe e disse:
Eu quero tanto fazer sacrifícios pelos pecadores!

O Francisco encolheu-se todo, quase como se desaparecesse, e disse também:
Eu fico aqui, no meu cantinho, a rezar, sempre a rezar, ao meu Jesus que já não me está escondido!

Maria, cheia do seu dulcíssimo instinto maternal, abraçou-os e falou-lhes baixinho:
Temos que rezar muito, para que os mais jovens vejam na vossa entrega, na vossa santidade, o caminho seguro a seguir. O mundo precisa tanto, mas tanto, que os mais jovens encontrem Jesus nas suas vidas!

Deram as mãos os três, ajoelharam-se numa nuvem de amor, e rezaram:
«Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos, peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.»

E a Jacinta e o Francisco ainda acrescentaram baixinho:
Sobretudo os mais novos, Jesus! Sobretudo os mais novos!


Monte Real, 23 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 22 de março de 2017

UM ESPINHO PARA RECORDAR QUE NADA SOU!

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E depois, Senhor, sempre o orgulho!

De cada vez que falo em Teu Nome, que rezo em Teu Nome, que faço algo em Teu Nome, lá vêm os “elogios”, e com eles lá vem o orgulho, a vaidade, e o doloroso sentimento de me sentir envergonhado comigo mesmo, de me sentir um fraco, incapaz de resistir às coisas do mundo.

E eu rezo, peço, suplico, entrego-me, (ou tento entregar-me), pedindo-Te força, pedindo-Te “armas” para combater esse orgulho, essa vaidade, e Tu, Senhor, não me respondes, pareces-me quase indiferente ao meu problema, parece-me que olhas para o lado!

O que queres Tu que eu faça, Senhor?
Não me ajudas?

Olho-Te nos olhos e vejo-os sorrir, quase irónicos, mas cheios de bondade.

Pegas-me na mão, encostas-Te a mim, e dizes-me baixinho:
Vês-me preocupado com isso, Joaquim? Nem um pouco! Enquanto tu te preocupares, está tudo bem, mas não deixes nunca de fazer o que Te é pedido por causa desse orgulho.

Insisto com Ele:
Mas, Senhor, a Ti tudo é possível, por isso peço-Te que afastes de mim este sentimento de orgulho, que é uma fraqueza em mim.

Apertas-me e dizes-me:
Basta que o reconheças e não o queiras em ti. Quantas vezes o reconheceres e dele te arrependeres, quantas vezes Eu te perdoarei. Não querias que fosse tudo fácil, pois não? É para Te lembrar que precisas sempre de Mim, e que sem Mim nada podes.

Rendo-me, e digo:
Oh, Senhor, como o Teu amor é grande e cheio de sabedoria! Como Tu me conheces tão bem!
Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 22 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 21 de março de 2017

QUARESMA 2017 (12)

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Sigo o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra no meu caminho, tem hoje escrito: Perdão!

Tu és um homem de perdão, diz-me o “outro”, não ligues a esta pedra.
Eu sei o que ele quer, por isso não lhe ligo e sento-me na pedra.

Sim, realmente, se pensar na minha vida hoje em dia, tudo faço para perdoar ofensas antigas e para pedir perdão pelas ofensas que cometi, embora nem sempre seja fácil.
O Senhor ensinou-me a rezar por aqueles que me ofenderam ou eu ofendi, e essa tem sido a melhor maneira de perdoar e recordar tudo sem mágoa e ressentimento.

Mas, e o perdão àqueles que não me ofendem directamente, que ofendem, por exemplo, a minha espiritualidade, a fé cristã, ofendem a humanidade, praticando actos terríveis contra outros, contra populações ou comunidades inteiras?
É tão “fácil” classificá-los de inumanos, de “animais irracionais”, de tudo e mais alguma coisa.
É tão “fácil” desejar quase a sua morte, como castigo pelas atrocidades que cometem contra outros.
Mas não são eles homens como eu, criados por Deus também?
E todos eles serão conscientes, verdadeiramente conscientes do mal que fazem?
Só muita oração, por eles, pelo seu encontro com uma consciência humana bem formada, pelas suas vitimas, e por mim próprio, para que Deus consiga que eu veja neles, apesar de todo o mal, a Sua criação, e assim sendo, sempre o possível arrependimento, emenda e salvação, visto que Cristo morreu por todos, mesmo por todos e por cada um em particular.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “perdão”, na qual preciso meditar muito tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “perdão” vem de Ti, mas que também parte da nossa vontade, para podermos perdoar fazendo a Tua vontade.


Monte Real, 21 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 20 de março de 2017

QUARESMA 2017 (11)

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Continuo a fazer o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Esta pedra do caminho, tem escrito, algo muito especial: Pai!

O “outro” segreda-me ao ouvido que eu sou muito bom pai, que não me preocupe.
Como sempre duvido dele.

Não duvido, nem um pouco, do meu amor de pai pelos meus filhos!
Mas isso não impede que me pergunte se sou um bom pai para os meus filhos.
Sou eu um pai presente, e este presente, tem pouco a ver com presença física?
Sou eu um pai que dá testemunho de coerência de fé, de honestidade, de entrega?
Quantas vezes não deixo eu que se coloquem trabalhos, (mesmo da Igreja), à frente dos meus filhos?
Percebo e vivo eu a certeza de que a primeira vocação que Deus me deu como família, é ser pai?

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “pai”, na qual preciso ficar sentado bastante tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o ser “pai” vem de Ti, e que só em Ti posso ser pai verdadeiramente, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 20 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 16 de março de 2017

QUARESMA 2017 (10)

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Sigo pelo caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra de que me aproximo, tem escrito: Tempo!

O “outro” julga descansar-me quando me diz que eu tenho todo o tempo do mundo.
Mas eu sei que não é assim.

Até poderei ter todo o tempo do mundo, mas o tempo de Deus é agora e sempre.
O tempo de Deus, para Deus, não é inadiável, é decisão permanente.

E não adio eu tantas decisões de mudar coisas em mim, à procura da vontade de Deus?
Não arranjo eu desculpas, para não emendar procedimentos errados, vícios repetidos, atitudes incorrectas?
Sim, é bom não querer fazer tudo ao mesmo tempo, mas que isso não sirva de desculpa para afinal nada fazer.

Sim, Deus dá-nos tempo, todo o tempo, e acolhe-nos sempre que aproveitamos o tempo para nos aproximarmos dEle, mas essa decisão de amar a Deus e fazer a sua vontade, é uma decisão de hoje, de agora, imediata, para assim podermos aproveitar, por Sua graça, todo o tempo de Deus.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “tempo”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “tempo” vem de Ti, e que o Teu tempo é agora e sempre, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 16 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 15 de março de 2017

QUARESMA 2017 (9)

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Continuo a percorrer o caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Desta vez a pedra no meu caminho, tem escrito: Poder!

O “outro” ri-se, diz-me que eu não tenho poder nenhum, por isso a pedra não é para mim.
Pois, mas ele pensa no poder do mundo e eu penso noutro “poder”.

Realmente, o poder de mandar como governante ou qualquer outro poder desse tipo, não o tenho, e até dou graças a Deus por isso.

Mas e o “poder” como pai, o “poder” de ser reconhecido em sociedade, o “poder” que advém de ser chamado a dar testemunho como cristão, em palavras e actos?
Não é esse também um “poder”, visto que pode mexer com a vida dos outros?
E como exerço eu esse “poder”?
Exerço-o para mandar, para exigir, para me fazer notado, ou exerço-o como um serviço aos outros, servindo a Deus?
É que se eu tenho esse “poder”, ele não é meu, mas vem de Deus, e é sempre um poder para servir e não para me servir.

Tanto para emendar, meu Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “poder”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “poder” vem de Ti, e que é um “poder” para Te servir, servindo os outros, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 15 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 14 de março de 2017

QUARESMA 2017 (8)

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Sem desfalecer continuo o caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra que aparece no meu caminho, tem escrito: Fazer!

O “outro”, pressurosamente, diz-me ao ouvido para não me preocupar, porque eu já faço tanto.
Preocupa-me sim, que ele me queira convencer disso mesmo, por isso sento-me na pedra e reflicto.

Realmente, penso eu, já faço tanto, já estou envolvido em tantas coisas na Igreja.
Será que não faço demasiadas coisas em detrimento de outras mais importantes, ou seja, mais da vontade de Deus para mim? Não terei eu, por vezes, um excesso de activismo?
Darei eu a atenção necessária à família que Deus me deu, por exemplo?
Quando estou cansado, esse cansaço reflecte-se mais em quê? Naquilo que faço em Igreja ou naquilo que devia fazer em família?
Não é a família “igreja doméstica”?

E este “fazer”, traz sempre também o “não fazer”, ou seja, a desculpa fácil que eu não faço mal, não roubo, não mato …
Mas faço eu o bem?
Que gostaria Deus que os outros vissem em mim: Aquele que não faz mal a ninguém, ou aquele que faz o bem sem olhar a quem?

Tanto para fazer, meu Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “fazer”, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “fazer” em Teu Nome, é muito mais importante do que o “não fazer” rotineiro, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 14 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 13 de março de 2017

QUARESMA 2017 (7)

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Sigo pelo caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra que me espera ao longe, tem escrito: Dar!

O “outro” tenta-me, dizendo que eu dou tudo, que esta pedra não é para mim!
Não lhe dou ouvidos e sento-me na pedra do “dar”!

Penso então em tudo o que dou e ainda, se realmente me dou.
Nos bens materiais, percebo sem esforço, que dou muito mais do que me sobra, do que aquilo que talvez a outros faça falta.
E que às vezes, (oh vergonha!), dou mais para aliviar a consciência, do que por amor aos outros.

E a mim? Dou-me realmente aos outros? Sirvo realmente a Deus servindo os outros em entrega de mim?
Pois, mas a verdade é que procuro muito mais dar-me no que me agrada, do que naquilo que me é difícil.
E não me dou eu tantas vezes, à espera de reconhecimento, de elogio, de vã glória?

Nesta pedra, realmente, tenho que me sentar muito tempo.
Deus dá-me tanto e eu dou-me tão pouco!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do dar, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que a dádiva de Ti foi total, pois tudo entregaste por nós, até a própria vida. Ajuda-me e ensina-me a dar-me inteiramente por Ti aos outros, pois só assim a vida tem sentido, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 13 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 10 de março de 2017

QUARESMA 2017 (6)

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A caminhada continua pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Justiça!

O “outro” vem de mansinho tentando convencer-me de que eu sou muito justo!
Não vale a pena! Eu conheço-me!

Penso na justiça, na justiça com que “julgo” os outros no meu dia-a-dia, e percebo como sou duro com os outros e tão brando comigo.
Mas sobretudo medito no que deve ser a justiça de alguém que segue Cristo, ao “julgar” os outros.
É que essa justiça tem de ir muito mais longe.
Essa justiça tem que ter em si, não só o eu dar testemunho do que faço e sou verdadeiramente, mas também já deve ter a bondade, o amor, o perdão, para que não seja estéril, mas dê fruto de arrependimento e conversão, para os outros e para mim.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da justiça, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que quem julga és Tu, e que os meus “juízos” têm que ser sempre enformados da verdade, do amor, do perdão, “medindo-me” primeiro a mim, pois essa é a Tua única vontade.


Monte Real, 10 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 9 de março de 2017

QUARESMA 2017 (5)

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Sigo caminho pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Preguiça!

Diz-me o “outro” que esta pedra é que não tem mesmo nada a ver comigo, querendo convencer-me de que eu sou muito activo, faço muitas coisas na Igreja, etc.
Não o ouço, porque já sei que me quer enganar.

E penso na preguiça.
Sim é verdade que faço muitas coisas na Igreja, mas reconheço que às vezes me deixo levar por essa preguiça, que me afasta de “coisas” bem mais importantes do que toda essa minha actividade.
Vivendo eu a 20 metros da igreja, quantas vezes deixo que a preguiça me agarre ao sofá e me leve a não participar da/na Eucaristia diária?
E não é na Eucaristia que eu devo encontrar forças, sobretudo luz divina, para todas as outras coisas que faço?
E a oração? Quantas vezes é rápida e rotineira, apenas pela preguiça de a fazer mais consciente, mais íntima, mais conversa com Deus e menos “despachar obrigação”?
Tanta coisa a mudar!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da preguiça, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver sempre com tudo centrado em Ti, lutando contra a inércia e procurando-Te em tudo, pois essa é a Tua única vontade.


Monte Real, 9 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 8 de março de 2017

PENSANDO NO MEU SOBRINHO ZÉ

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Às vezes atordoas-nos, Senhor!

É tal a dor que ficamos sem saber o que dizer, sem saber o que pensar, sem saber o que viver.

É quase uma revolta que vem de dentro de nós e se atravessa na nossa garganta, embarga-nos a voz, tolhe-nos o pensamento e ficamos ali, parados, a olhar … o infinito!

E depois Tu vens, manso, doce, terno, encostas-nos ao Teu peito, apertas-nos junto a Ti e dizes-nos baixinho ao coração: Se tu soubesses como ele está feliz!

Obrigado, Senhor, obrigado!

Guarda-o junto a Ti, abraça-o melhor do que nós o abraçámos e diz-lhe por favor, Senhor, que nós o amamos muito e o guardamos vivo para sempre nos nossos corações.

E já agora, Senhor, ouve com bondade tudo o que ele interceder por nós.


Marinha Grande, 7 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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